segunda-feira, junho 19, 2006

 

E vem aí o glorioso...

Régis Soares!!!

No último dia 6, o TV-Colosso entrevistou o repórter Reginaldo (Régis) Soares, da TV UFMG. Régis trabalha também na edição de suas matérias, e já teve experiência com uma produtora de vídeo.
Nesta conversa, ele discorre sobre o mercado de Televisão e Vídeo em Minas Gerais, menciona a importância do mercado publicitário e fala sobre as principais dificuldades enfrentadas pelos jovens profissionais, recém-formados.
Abordamos também uma discussão antiga, sempre mencionada nas assembléias e reuniões do ComuniC.A. Trata-se da possível dificuldade de acesso à TV UFMG e ao CEDECOM por parte dos alunos de Comunicação.



TV - Colosso: Qual o seu trabalho na TV UFMG?

Régis Soares: Na TV minha função é como repórter, através do trabalho com o público, e há a produção e pesquisa sobre a matéria também. A matéria quem prepara é o próprio repórter. Para a edição tem um editor, mas você determina os critérios de edição, pode querer determinada música, imagem... Então, acaba trabalhando como editor também.

TC: Você já trabalhou em outra rede de tv?

RS: Eu já trabalhei como estagiário na TV UFMG, mas na verdade nunca trabalhei em televisão diretamente. Já trabalhei em uma produtora de vídeo.

TC: Como está o mercado?

RS: O mercado de vídeo não está muito bom. O pessoal está querendo muito é fazer documentário, fazer curta-metragem, e isso depende muito de lei de incentivo, projeto do governo. A pessoa tem que apresentar, tem que sair. Quando sai, funciona bem. Algumas pessoas aqui da UFMG mesmo já conseguiram incentivo público, como a Patrícia Moran e o Rodrigo Minelli, que durante o semestre trabalharam sob lei de incentivo (eles trabalham com produtora).
A minha experiência foi em uma produtora que fazia comerciais paraTV. Ela tinha um mercado razoável, porque ela já tinha clientes. Trabalhávamos com critério de exclusividade, e isso foi a mais ou menos um ano e meio. Um pouco tempo para se ter mudado - radicalmente.O que acontece com a Comunicação aqui em MG é que ela se aquece bem depois. Por exemplo, a economia do Brasil está se aquecendo agora, aí as empresas vão produzir mais e elas vão anunciar mais. Quando elas começam a anunciar, o mercado de comunicação começa a ganhar com isso. Então, digamos que temos dois anos de crescimento econômico razoável. A partir desse ano deverão surgir melhores oportunidades para o mercado de comunicação.

TC: O fato de ser um projeto da UFMG influencia na obtenção de lei de incentivo?

RS: Geralmente não, geralmente é a análise principal do projeto que conta. Algumas análises sugerem também a avaliação do currículo de quem está querendo produzir. Então essa análise tem um preparo de profissionais para quem está iniciando para realizar a avaliação. Aí sim, com a análise do currículo... Digamos, por exemplo, que o “cara” é um professor de comunicação social da UFMG – tem altíssimas probabilidades de obter o auxílio da lei. Mas a Instituição, em si, não ajuda muito no processo.

TC: Gostaríamos de saber qual foi a sua formação.

RS: Estudei na UFMG. Quando fiz o curso, minha intenção era ver um pouco de cada área. Eu comecei trabalhando no impresso, fazendo estágio em diversos campos que o curso oferece, como o Officcium. Depois passei pelo laboratório de rádio, com o professor Valdir – trabalhei lá por quase um ano. Fazíamos programas de rádio que eram retransmitidos por algumas emissoras daqui da região metropolitana. Depois eu comecei a mexer com a TV. Foi no programa “Mídia em Pauta” – eu participei da elaboração do programa. Éramos eu, o Guto Amaral, Júlia Parisi, a Caroline e a Rosângela, todos ex-alunos do curso. No projeto nós começamos a ver como é o trabalho na TV: entrevistas, produção... Ainda que de uma maneira meio errada – afinal éramos apenas estudantes, não tínhamos apoio técnico na área. O único apoio que tínhamos era dos professores de comunicação. Foi meu primeiro contato com a TV – a partir daí foi que me interessei por estágio em televisão. Fiz estágio na TV UFMG, de 2004 a 2005. No fim de 2004 eu me formei na habilitação jornalismo, e em julho de 2005 me formei em publicidade. Terminei meu estágio na TV UFMG e, quatro meses depois, eles me chamaram para trabalhar aqui.

TC: Qual a principal dificuldade para os jovens profissionais?

RS: Para o profissional da área de televisão e vídeo, é preciso ter – além de talento – técnica. Isso você aprende muito é fazendo, através dos estágios.
O principal problema para o mercado de TV é que ele é muito restrito. Ele exige, por exemplo, algumas indicações para trabalhar em determinadas emissoras. A TV a cabo ainda não é uma das opções para se começar a trabalhar. Uma dificuldade é que muitas pessoas querem fazer documentários, reportagens, querem colocar a cara no vídeo, mas nem sempre surge a oportunidade para isso. Há mais oportunidades para a produção, e esse é um trabalho que exige muito, ao qual as pessoas, às vezes, não se acostumam. As pessoas não querem trabalhar na área de produção.
Mas o principal problema é a restrição da área. Ainda não há tantas oportunidades para trabalhar.


TC: E quando tratamos de Minas?

RS: Em Minas Gerais é ainda mais difícil que em outros lugares. Eu costumo acompanhar como está a oferta de vagas e é evidente que há mais trabalho na região sudeste, mas principalmente no Rio e em São Paulo.
O trabalho aparece primeiro lá, depois surge aqui. No rádio e na TV – que são os meios mais procurados aqui em MG – há pouca oferta. E estas dependem muito da publicidade, que é fraca no estado. Em Belo Horizonte há poucas agências de publicidade, e elas anunciam pouco. Geram pouca receita, o que não permite contratar mais profissionais. Daí a restrição do mercado.

TC: Qual a posição da TV UFMG para receber estudantes do curso de Comunicação da Universidade?

RS: Posso falar da minha experiência pessoal. Eu tive contato com a TV UFMG quando resolvi procurá-la, e fui bem recepcionado. O que a gente faz muito é trabalhar a partir de sugestões, e nem sempre há um contato com as atividades do Centro Acadêmico. Nós seguimos a pauta, cobrimos eventos, e o ComuniC.A. ou o D. A. não nos procuram para dar sugestões. A página da TV é aberta a sugestões, e muitas vezes recebemos de alguns estudantes do curso.
A página é bem procurada. A audiência não é grande, mas há pessoas interessadas. Já recebemos e-mail de uma pessoa que nos assistiu do Japão!
E a TV UFMG é dirigida à comunidade acadêmica. Então o C. A. ou o D. A. podem nos sugerir pautas, e se for de interesse nós podemos cobrir.


TC: É difícil para o aluno ter acesso à TV UFMG?

RS: Não chega a ser difícil. A TV UFMG tem uma parceria já firmada com o Departamento de Comunicação Social da Universidade, para a admissão de estagiários. A partir do 4º período já é uma boa hora para se ter contato com a TV. Mas isso não tem que ser obrigatório. Muitas vezes descobrimos talentos de pessoas do 3º período. Basta que os alunos venham até aqui, e procurem a gente.
*Entrevista feita por Terêncio de Oliveira, Sulamara Moreira e Victor Guimarães; transcrita por Vanessa Veiga e finalizada por Victor Guimarães.
Sugestão da Semana:
Desta feita, a sugestão da semana deixa um pouco de lado o cinema e faz uma homenagem à nobre arte do Teatro. Nos dias 24 e 25 deste mês, sempre às dezenove horas, o CCBH (velho conhecido dos freqüentadores do TV-Colosso) traz o espetáculo "Bonecas". A apresentação é da Aldeia Teatro de Bonecos, com direção de Débora Mazochi e Bruno Godinho. O elenco conta com Ana Cristina Fernandes e Suzana Louzada. Nestes dias de Copa do Mundo, é bom também fazer uma pausa para "se encantar com o mágico mundo do teatro de bonecos" (como diz o texto do Programe BH, agenda cultural da Prefeitura de Belo Horizonte e guia indispensável daqueles que se interessam por cultura, mas não dispõem de verba suficiente para grandes investimentos).
Só para lembrar, a exibição é totalmente gratuita. Mas é bom chegar cedo. Os oitenta convites serão distribuídos na recepção do CCBH, meia hora antes do espetáculo.

quinta-feira, junho 15, 2006

 

....Sou chique bem

Olá Pessoas!
Bom, semana passada eu (Yara) e a Vanessa fizemos uma visita à Rede Minas, onde seguimos um dia de rotina da emissora. As produtoras Nayana e Liziane nos acompanharam. Fomos muito bem recebidas por elas e por todos. Traçarei aqui um pouco do que foi nosso dia, esclarecer alguns termos e perfis profissionais.
Ao chegar, fomos encaminhadas para o quarto andar, a Redação e este é o primeiro termo a ser esclarecido:
Como é a redação de uma emissora de TV?
Uma sala, que no início da manhã encontrava-se tranqüila e relativamente vazia, com vários computadores. . Ao fundo fica a sala da apuração, onde uma jornalista fica ligada à uma televisão (sempre situada na Globo que, segundo a própria jornalista, é a emissora que mais dá furos), a um rádio (situado, alternadamente, nas rádios CBN e Itatiaia), ao telefone (pelo qual recebe notícias da população e de alguns contatos pessoais) e à internet (acessando alguns sites específicos de notícia e verificando o e-mail). Em um cantinho encontra-se o editor-chefe. Os computadores ao centro são divididos em três ilhas: redação, produção e edição.
Poucos sabem o que é ser produtor de um programa de televisão, eu mesma não sabia antes dessa visita, por isso acho importante esclarecer a função desse profissional. Então aí vai nosso segundo esclarecimento:
O que faz um produtor de televisão?
O produtor é, em geral, formado em jornalismo. Na apuração e na reunião entre o editor-chefe e os produtores nascem as pautas, assuntos a serem abordados pelos telejornais da emissora. Essas pautas vão para os produtores que: realizam uma breve pesquisa sobre o assunto; elaboram o título da matéria; definem o repórter que irá realizá-la (indo às ruas e gravando offs); redigem a proposta, ou seja, qual será o foco da matéria, dando algumas instruções das filmagens que devem ser feitas e quem deverá ser entrevistado; agendam, se necessário, a visita dos repórteres ou as entrevistas a serem realizadas; informam aos repórteres as fontes utilizadas para que possam ser consultadas em eventual necessidade; e comunicam dados gerais sobre o assunto. Todas essas informações são redigidas na chamada folha de pauta. Pode parecer o trabalho de um jornalista normal, entretanto existe uma grande diferença entra o produtor e o jornalista de um veículo impresso: o produtor tem que pensar na imagem como componente de seu texto.
Saindo do quarto andar fomos para o segundo. Lá se encontra a parte mais dinâmica da emissora: as ilhas de edição de imagem e som. Nesse andar são também gravados os offs e é onde se localiza a sala de controle mestre. Então vamos aos termos:
Edição na televisão: o repórter sai com várias pautas a serem feitas, o chamado esqueleto (voz do repórter) é gravado na maioria das vezes dentro do carro de reportagem na ida para a realização das mesmas. A fita de gravação possui três entradas: uma de vídeo, o áudio 1 (microfone do repórter) e o áudio 2 (som ambiente). Na edição o esqueleto é unido à imagem e ao som ambiente. Esse processo envolve três fases:
1- Edição de áudio
Uni o áudio 1 ao áudio 2. O som ambiente é importante para dar maior naturalidade à reportagem.
2- Edição de texto
Tem como função dar linearidade à matéria ligando as gravações em off às entrevistas. Elimina falas que não façam sentido e cria uma espécie de diálogo entre os offs, as perguntas da repórter e a resposta dos entrevistados. Segundo a editora é muito importante que o repórter seja acompanhado por um fonoaudiólogo para melhorar sua dicção, controlar a respiração e minimizar sotaques.
3- Edição de imagem
São aplicadas as imagens que devem seguir harmonicamente a fala do repórter, ilustrando-a. Muitas vezes são utilizadas imagens de arquivo. Segundo o técnico de edição por nós acompanhado ocorre uma certa divergência entre o repórter e o operador de câmera, esse último deve ser muito bem instruído pelo primeiro que se encontra por dentro do que será o foco da matéria. Tal divergência muitas vezes dificulta o trabalho do editor de imagens que fica sem opções de boas imagens a serem colocadas.
Depois de passar por essas três fases a matéria é enviada ao editor-chefe, aquele que ficava no cantinho da redação no quarto andar, lembra? Se houver algum problema ela volta lá pro segundo andar.
Sala de controle mestre: durante programas ao vivo lá que é feita a edição. Antes da visita, acreditava que, por ser um programa ao vivo, a sala seria super séria e tensa. Mas quando cheguei lá, estava havendo a transmissão do Jornal Sete e Meia (exibido às 7h30), deparei-me com um clima super descontraído, brincadeiras e risadas e pessoas com a incrível capacidade de prestar atenção em várias coisas ao mesmo tempo! Durante o programa ao vivo, lá é definido, rapidamente, a imagem de qual câmera irá para o telespectador e a hora de entrada e saída das externas. É de lá também que sai a vozinha dizendo à apresentadora o que fazer.

Os profissionais que trabalham no segundo andar são em sua maioria profissionais técnicos sem formação acadêmica, apenas o editor chefe e a editora de textos são formados em Jornalismo. Segundo editor de imagens que acompanhamos as empresas fabricantes de aparelhos dessa área, como a Sony por exemplo, oferecem cursos técnicos ensinando como manuseá-los.
Perguntamos à editora de textos se a tendência era de profissionais formados em Rádio e TV virem a ocupar o lugar desses técnicos. Ela disse que essa é a tendência mas não por ser esse o caminho mais correto, mas sim para que tais profissionais realizem todo o processo de edição sozinho sem dividi-lo como é feito atualmente. Tal medida seria boa, do ponto de vista econômico, para a empresa. Mas, segundo a editora, além de diminuir o número de ofertas de emprego, comprometeria a qualidade do produto final.

Bom espero com essa postagem ter mostrado um pouquinho do dia-a-dia alguns dos profissionais de TV e Vídeo. Gostaria de agradecer muito a receptividade da Rede Minas e a ajudona da Vanessa que durante a visita fez perguntas pertinentes e relevantes enriquecendo a postagem.

SUGESTÃO DA SEMANA
Acontece até o dia 02 de julho, no Cine Humberto Mauro, em comemoração aos 35 anos do Palácio das Artes, a Mostra 12x12. Serão exibidos 12 filmes escolhidos por 12 convidados. A entrada é franca e abaixo segue a programação:7 quarta 17h – Bang-Bang 21h – Amores Parisienses 8 quinta 17h – Enredando as Pessoas 19h – Malpertuis 21h – A Última Gargalhada 9 sexta 17h – Amores Parisienses 19h – A Última Gargalhada 21h – Dançando no Escuro 10 sábado15h – Dançando no Escuro 18h – Enredando as Pessoas – SESSÃO CINECLUBE Eduardo Jesus 20h – Amores Parisienses 11 domingo 16h – Malpertuis 18h – A Última Gargalhada 20h – Bang-Bang 12 segunda 17h – Amores Parisienses 21h – A Última Gargalhada 13 terça NÃO HAVERÁ SESSÃO 14 quarta 17h – Enredando as Pessoas 21h – Malpertuis 15 quinta 17h – Malpertuis 19h – Amores Parisienses 21h – Dançando no Escuro 16 sexta 17h – E a Luz se Fez 19h – Enredando as Pessoas 21h – Pierrot Le Fou 17 sábado 15h – A Última Gargalhada 17h – Bang-Bang – SESSÃO CINECLUBE André Brasil 20h – E a Luz se Fez 18 domingo NÃO HAVERÁ SESSÃO 19 segunda 16h – Dançando no Escuro 21h – Enredando as Pessoas 20 terça 16h – Stalker 19h – E a Luz se Fez 21h – Pierrot Le Fou 21 quarta 16h – Leni Riefenstahl – A Deusa Imperfeita 22 quinta NÃO HAVERÁ SESSÃO 23 sexta 16h – Pierrot Le Fou 19h – Bang-Bang 21h – India Song 26 segunda 17h – Pierrot Le Fou 21h – India Song 27 terça 17h – India Song 19h – Pierrot Le Fou 21h – E a Luz se Fez 28 quarta 17h – E a Luz se Fez 21h – Enredando as Pessoas 29 quinta 17h – Stalker 20h – Leni Riefenstahl – A Deusa Imperfeita 30 sexta 17h – Leni Riefenstahl – A Deusa Imperfeita 20h – Stalker 01 sábado 15h – E a Luz se Fez 17h – Leni Riefenstahl – A Deusa Imperfeita 20h – India Song 02 domingo 17h – Stalker 20h – Pierrot Le Fou

segunda-feira, junho 05, 2006

 

Domingo na TV

Vem pra cá, vem pra cá!
Você está certo disso?
Quem quer dinheiro?
Roque, Roque!


Figura característica do Domingo, Sílvio Santos alegra a família brasileira com seu humor irreverente, e suas frases e expressões clássicas.


Dia 04/06/06, Domingo - 16h

Estava eu em casa, nada pra fazer, eis que resolvo ligar a televisão. Numa rápida olhada pelos canais de TV aberta, me deparei com:
SBT - Super Nanny
Bandeirantes - Programa Raul Gil
Globo - Futebol (Corinthians x Flamengo)
Record - Futebol (Corinthians x Flamengo)

Super Nanny, é um programa que faz uma análise comportamental de crianças-problema. A protagonista tenta resolver os distúrbios dessas crianças através da disciplina e indica aos pais como agirem diante as mais variadas situações. Aqui em casa é audiência garantida, tudo bem que não acrescenta muito em nossas vidas, mas Domingo é dia de lazer, e ver crianças fazendo pirraça é muito divertido.

Programa Raul Gil, o bom e velho Raul Gil, o preferido das senhoras acima de 70 anos. Sabe-se lá há quanto tempo na TV, com um mesmo programa, que se repete semana após semana, agora na Bandeirantes.

Corinthians x Flamengo, na Rede Globo, audiência garantida, afinal esses são os dois times de maior torcida no país. O jogo serviu para interromper o Programa do Faustão, que exibia Xuxa, a rainha dos baixinhos, cantando seus sucessos infantis. É por isso que brasileiro ama futebol.

Corinthians x Flamengo, na Rede Record, quanta diversidade, não? Entre quatro canais de TV aberta, dois transmitem um mesmo evento. E os outros jogos da rodada?


Domingo 22h

Bandeirantes - Qual é mesmo o nome do programa do Avalone?
Globo - Fantástico
Record - Terceiro Tempo


Programas esportivos - Bandeirantes e Record

Milton Neves, e seu Terceiro Tempo, e Roberto Avalone, cujo programa não sei o nome, pautam seus programas na discussão das repercussões do futebol, com enfoque na rodada do fim de semana. E, como não poderia deixar de ser, repercutem a pré-temporada brasileira na Suíça. O curioso desses programas é que são transmitidos em rede nacional, mas ignoram esse fato, focam explicitamente os times de São Paulo. É um tal de “Curíntia” pra cá e “Curíntia” pra lá. A crise, o Kia, a torcida violenta.
São programas que retratam quase exclusivamente a realidade de São Paulo, excluindo o restante do país, que, como eu, aguarda para ver os gols dos times periféricos, como o líder Cruzeiro.


Fantástico! Meu Deus, a roda do mundo parou de girar!

Exatamente, é fantástico! Para o tradicional programa das noites de Domingo, veiculado pela Rede Globo e líder indiscutível de audiência, parece que o mundo parou. O único acontecimento importante da atualidade é a Copa do Mundo, que, aliás, ainda nem está acontecendo. O programa de variedades, marco no entretenimento brasileiro, deixou de lado as notícias internacionais, as curiosidades sobre o comportamento humano, os documentários copiados da BBC e Discovery, e ainda, as matérias forçadas para fazer divulgação de novelas. Só se falou de Copa do Mundo, com direito a transmissão ao vivo da Alemanha e matéria sobre a bolha no pé de Ronaldo. Isso sem contar a volta da emocionante história de uma mulher, interpretada por Denise Fraga, que foi às últimas cinco copas do mundo e agora deu lugar à sua filha na expedição verde-amarela. É notório o poder da Globo, que conseguiu atuações de Parreira e Zagallo para o quadro.


Concluindo......

Falta de alegria! Mais um Domingo característico na TV brasileira, não reclamo da falta de programas instrutivos, pois acho que esse é um dia de descanso. Entretenimento, humor, esportes, filmes. Sim, essa é a receita. Mas dizer que Faustão é entretenimento, Turma do Didi é humor, Terceiro Tempo é um bom programa de esportes, e Esqueceram de Mim é um ótimo filme, é exigir muito mais que minha paciência de aluno de Humanas pode suportar.
É necessária inovação na televisão brasileira. A pizza do Faustão não desce mais, Didi e suas piadinhas repetidas da época dos brilhantes Trapalhões não empolga. Domingo Legal, com Gugu, que nem mereceu citação anterior, já teve seu horário reduzido por Sílvio Santos.
Sei que não citei toda a “saga” televisiva do Domingão, preferi dormir e dar uma volta. Acho que levantei alguns pontos interessantes. Espero que tenha valido a pena.
E pra concluir a conclusão: quando vai acabar a monotonia? Tenho um palpite, um dia o Faustão perde a voz, Didi Mocó adoece, o “Curíntia” fecha as portas, e, talvez, tenhamos uma TV de qualidade. Será?


No próximo post:
Entrevista com Reginaldo, repórter da TV UFMG.
Acompanhamento das atividades de uma produtora da Rede Minas.

quinta-feira, junho 01, 2006

 

ENTREVISTA COM RAFAEL CONDE

Rafael Conde, cineasta das Minas Gerais, fala do fazer filmes
RAFAEL CONDE é mestre em Artes / Cinema pela Universidade de São Paulo. Além de diretor e produtor independente, é Professor de Cinema da Escola de Belas Artes da UFMG. Entre seus trabalhos em cinema destacam-se o longa SAMBA-CANÇÃO (Longa-metragem em fase de lançamento) e os filmes UAKTI - OFICINA INSTRUMENTAL (melhor filme e melhor montagem no 15o. Festival de Gramado,1987), MUSIKA (melhor direção no 22o. Festival de Brasília,1989), O EX-MÁGICO DA TABERNA MINHOTA (melhor direção, melhor roteiro e melhor ator (Ezequias Marques) na categoria média-metragem no 29o. Festival de Brasília, 1996), A HORA VAGABUNDA e FRANÇOISE. Todos os filmes participaram de diversos festivais de cinema no Brasil, tendo sido comercializados para diversos canais de televisão do mundo, como Nippon TV, Canal Plus da França, TV Espanhola, TV Cultura de São Paulo, Globosat, entre outros. Os trabalhos foram exibidos em festivais e mostras nos EUA, Holanda, França, Itália, Alemanha, Espanha, Portugal, Argentina, Cuba, entre outros.

Entrevista retirada do site www.curtaocurta.com.br

Curta o Curta - Por que voce faz cinema?
Rafael Conde - Para viver, me expressar, dialogar com o mundo. Sempre tive uma enorme vontade de contar histórias com imagens.

Curta o Curta - Por que no Brasil não se valoriza a exibição de longas nacionais? O que seria preciso para mudar este panorama?
Rafael Conde - Boa pergunta. Acho que o caminho é procurar circuitos alternativos como o universitário, secundarista e algumas salas com perfil segmentado também. A questão é complexa. Apesar das dificuldades do SAMBA-CANÇÃO, estou mais concentrado em fazer bons filmes. É um caminho.

CC - Samba Canção, seu primeiro longa, conta a história das dificuldades de um realizador em conseguir realizar seu primeiro filme. Até que ponto as suas dificuldades em realizá-lo confundem-se com as do realizador de seu filme?
RC - As dificuldades são comuns a todos nós realizadores brasileiros. Centrado no humor da chancada e na liberdade do cinema marginal.

CC - Apesar de ser um filmes com um apelo popular, o filme ainda não tem data de distribuição marcada. Como você vê os problemas de distribuição do filme e do cinema brasileiro?
RC -Já estou preparando SAMBA-CANÇÃO II – A Distribuição. A distribuição é um dos maiores problemas do cinema independente do mundo todo. Meu filme é um filme de baixo orçamento voltado para um público jovem e que gosta de cinema brasileiro. Depois de circular em festivais e mostras, estou estudando um esquema de exibição alternativo para ele.

CC - François, seu último curta, é um filme de produção simples, grande parte passado num corredor de uma estação rodoviária. No entanto, centra-se no trabalho dos atores, especialmente na performance da Debora Falabella. Você concorda q Françoise é um filme essencialmente centrado no papel dos atores? Como foi a preparação dos atores para o filme?
RC - Sim. Estava particularmente interessado no texto e nos atores. Pensei todo o trabalho de câmera e som para privilegiar o ator . A câmera vai se aproximando à medida que ficamos curiosos para conhecer aqueles estranhos. Da mesma forma, os ruídos do ambiente vão desaparecendo até o clímax do diálogo. A ênfase pode ser dada aos atores por causa da simplicidade da produção, 80% estúdio e o resto na locação da rodoviária. Assim pude ter uma captação de som melhor e mais tempo para os atores. Chamo atenção também para o trabalho do Fernando Ernesto como “o viajante”. Carlão Reichenbach gostou muito dele e comentou que o papel mais difícil é o dele. Calado, com as intenções só no olhar e nos gestos. (ganhou melhor ator em Brasília também).

CC - Voce é professor de cinema em minas, como estão as produções audiovisuais por aí?
RC - Sinto que estamos num momento muito bom para produzir aqui. A vontade de fazer da moçada é grande e com a tecnologia digital o caminho ficou mais fácil. Não há como ignorar o trabalho da Associação Curta Minas, nossa ABD, que tem batalhado bastante para uma política consistente para o setor.

CC - Quais os filmes que mais te marcaram?
RC - Seria difícil listá-los. São muitos. Gosto do cinema novo, cinema marginal, cinema independente americano, Godard. Gostei muito do Lavoura Arcaica...

terça-feira, maio 23, 2006

 

Jabá, Jabaculê e Caititu

Pára tudo, pára tudo!!! (como diria João Kleber)

Realmente é preciso parar tudo pra discutir esse assunto sério que empobrece e apodrece a mídia no Brasil. O assunto da postagem será relacionado a uma realidade presente no meio televisivo e que se refere às relações de trabalho dos que o dirigem.
Estamos falando do famoso Jabá, também conhecido como Jabaculê e Caititu.
Jabá Musical
O Jabá Musical consiste no suborno de emissoras de TV por parte de gravadoras para que haja maior divulgação de bandas ou artistas que carregam o selo dessa gravadora. Essa antiga prática, que começou nos anos 40 e se acentuou a partir dos anos 80, cria um ciclo vicioso onde o telespectador só recebe na TV aquilo que gosta porque gosta somente do que recebe. O Jabá resulta em três conseqüências desfavoráveis, a não evolução musical, já que sem uma gravadora poderosa ou um contato em emissoras de TV, novos talentos não são revelados. O fato de tanto a emissora de TV quanto a gravadora conseguirem lucrar a astronomicamente com a prática e ainda monopolizarem o setor impedindo a concorrência justa torna o Caititu ainda mais atrativo. Nessa hegemonia a TV lucra ao transmitir o que todos (grande maioria) gostam, mantendo assim a audiência e instituindo a moda musical, e a gravadora lucra ao vende mais CDS, já que suas bandas são mais divulgadas. Com esse infeliz costume adquirido pelos peixes grandes da música e da televisão a diversidade musical fica tosada e as pequenas gravadoras independentes são condenadas à falência. Dessa forma existe a construção de uma ditadura cultural na qual a falta de opção e a não veiculação do produto musical pelo que ele é e sim pelo que ele paga acaba funcionando como forma de censura.
Rapidinhas sobre o Jabaculê:
  • O Jabá nas gravadoras segundo Nehemias Gueiros, autor de um dos livros mais respeitados que abordam o assunto, começa da seguinte forma: "Eles (os diretores das gravadoras) fazem uma reunião semanal chamada de 'planos e lançamentos'. Ouvem fitas e traçam estratégias para os produtos novos, os já estourados, os que vão estourar e os que vão ser limados. Neste momento é decidido como o jabá vai agir- quanto vai ser investido, qual será o produto e os meios de comunicação beneficiados".
  • Rio de Janeiro, 1981. Roberto Menescal, diretor artístico da gravadora Polygram (hoje Universal), recebe em sua sala um dos produtores da "Buzina do Chacrinha", o programa de maior audiência da TV Bandeirantes. O diálogo é curto, direto: - Menescal, estamos querendo estourar o Eduardo Dusek lá no Chacrinha...
    - Seria ótimo...
    - Mas, para isso, o "homem" (Chacrinha) quer uma TV estéreo importada......
    - Isso não é comigo, vou te encaminhar para o departamento de divulgação. Além do mais, aproveita e avisa o Chacrinha que o sinal estéreo ainda não chegou ao Brasil...
  • "O Brasil passou do sexto lugar no mercado de discos do mundo para décimo segundo muito por causa da ganância das multinacionais e das grandes rádios", analisa Nehemias Gueiros


domingo, maio 14, 2006

 

A TV brasileira e o Cinema

A principal diferença entre a tv brasileira e a do resto do mundo é que aqui ela produz a totalidade de sua programação e no resto do mundo apenas veicula produtos produzidos por terceiros.
No Brasil foi repetido o velho esquema das capitanias hereditárias, beneficiando Assis Chateaubriand (Tupi), Roberto Marinho (Globo), Silvio Santos (SBT), bispo Macedo (Record) etc e tal. No caso da Globo é pior, pois é uma empresa de comunicações barba-cabelo-bigode que inclui jornal, revistas, rádios, sites internéticos, gravadora de discos. E agora já produz filmes de longa metragem. Nada mais anti-democrático, nos EUA seria proibido pela lei anti-truste.
Nesse rolo compressor não é de estranhar que as emissoras estaduais apenas repitam a programação Rio / São Paulo, nada ou quase nada produzindo que valha à pena fora 10 minutos diários de telejornal local.
No entanto, todas, principalmente a Globo, produzem dramaturgia na língua pátria - enlatados e filmes pouco pesam na minutagem final. Vejamos: a Globo (sempre ela !) produz mais de 12 horas diárias de ficção, começando pela Angélica de manhã e terminando com o programa que vem depois da novela das oito (Casseta & Planeta, Você decide etc - depende do dia).Isso equivale a 6 longas metragem por dia, por volta de 180 por mês. É numericamente mais que a produção da maioria dos países do mundo.
Por essas e outras serão sempre furadas as tentativas das pessoas de cinema de tentar impor uma cota de exibição de filmes curtos ou longos usando como pretexto a língua nacional ou a ficção nacional. Isso já é feito atualmente na TV aberta e na TV por assinatura não vai pegar porque o assinante pode não topar.
A grande luta portanto seria dificultar ou impedir que a TV aberta possa produzir 100% do que leva ao ar. É uma briga de cachorro grande porque envolve a super-poderosa Globo, mas valeria à pena, é uma luta pela democratização dos meios de comunicação.
No entanto os sindicatos e associações de classe (que não são representativos da maioria dos profissionais que nem pagam as mensalidades nem votam) tendem a convergir para refazer orgãos estatais tipo a falecida Embrafilme, que vão sugar recursos na burocracia que deveriam ser utilizados na produção.
A legislação atual não é má, tem permitido a volta gradativa da produção, inclusive estreantes no longa e no curta. O problema parece continuar o mesmo: a distribuição. O Rio tem uma distribuidora municipal, São Paulo acaba de criar a sua. As duas juntas abrangerão 70% do mercado. Nada mal.
Outras soluções regionais podem ser reivindicadas:isenção proporcional de impostos estaduais e municipais para salas de exibição que exibam filmes brasileiros. Isso daria o maior pé.
Criar elefantes-brancos federais só vai incentivar os velhos dinossauros tupiniquins, que embora preguem o contrário, se contorcem de fúria cada vez que um estreante consegue finalizar um longa.
Só cai nesse papo das 69 exigências do tal congresso quem for ingênuo.
Aliás repito: só existem duas indústrias cinematográficas no mundo. A da Índia e a dos Estados Unidos - não tem auxílio estatal e se pagam dentro de seus próprios países. O resto tem atividade cinematográfica com incentivos estatais, não é indústria. Vide França, Irã, México, Dinamarca, Austrália, Espanha etc.
O Brasil devia se preocupar menos em fazer uma indústria e mais em fazer bons filmes.
Até porque uma indústria vai ser bem parecida com a TV Globo - e não vai ter lugar nem para jovens diretores nem para experimentações de linguagem.
Só não vê quem não quer.
Baseado no texto de João Carlos Rodrigues do site www.curtaocurta.com.br

terça-feira, maio 09, 2006

 

Isso é uma vergonha!

O grande jornalista, Boris Casoy, tornou famosa a frase, que tão bem, e tão frequentemente, se aplica à vida política do país. Desde a colonização portuguesa, o Brasil tem um cenário político conturbado, dominado pela elíte econômica, e distante das camadas populares. Essa situação permaneceu inalterada através do Império e da República, mas a partir da década de 50, um importante elemento foi acrescentado à esse cenário: a Televisão.

Nas últimas décadas a Televisão foi, não só uma noticiadora dos fatos políticos, como também influência direta em tais fatos. O enorme fluxo de capitais girando em torno das emissoras de Televisão, a gigantesca popularidade que alcançou e a penetração na cultura popular, proporcionaram à Televisão, uma posição de destaque na organização da estrutura social, política e econômica brasileira. Seu posicionamento frente aos problemas e debates políticos nacionais foram críticos como na frase de Boris Casoy? Ou foram coniventes e conservadores? Vejamos...

A Televisão e a política no Brasil

Desde que surgiu a 18 de setembro de 1950 , por iniciativa de Assis Chateaubriand, a televisão tem uma estreita relação com a política que pode ser comprovada pelo seguinte: Invariavelmente os proprietários de emissoras, ou redes de TV são também políticos. O próprio Chateaubriand, além de dono da TV Tupi, exerceu mandatos de senador pela Paraíba e pelo Maranhão, e embaixador do Brasil na Inglaterra na década de 50. Caracterizou-se pelas suas posturas pró-capital estrangeiro e pró-imperialismo, primeiro o britânico, depois o americano. Apoiou Getúlio Vargas em seus jornais para que este chegasse ao poder em 1930, e logo passou a fazer oposição ao regime Varguista, sofrendo censura e o fechamento de um de seus jornais. Em 1960, Juscelino Kubitschek lamentou a ausência de Chateaubriand e homenageou-o em seu discurso de inauguração da nova capital em Brasília. O dono da TV Tupi apoiou o golpe militar de 1964, e morreu em 1968. A influência política dada a Chateaubriand por seu império de comunicação fez com que ficasse conhecido como "Cidadão Kane brasileiro", e a ele foram atribuídas frases como: "Se a lei é contra mim, temos que mudá-la!"

Porém as comparações com William Randolph Hearst, magnata da comunicação norte-americano que inspirou o filme "Cidadão Kane", seriam feitas mais tarde, à outro importante jornalista, detentor da maior rede de TV do Brasil: Roberto Marinho. Assim como Chateaubriand, Roberto Marinho apoiou o golpe e todos os governos militares que se instalaram no país. Não por coincidência, inaugurou sua emissora de TV no ano seguinte ao da "revolução": a TV Globo. A TV Excelsior tinha sido a única emissora de TV contra o golpe, e os militares não se esqueceram disso: no fim da década de 60, cancelaram sua concessão. A Globo tinha uma parceria (ilegal, na medida em que dava a uma empresa estrangeira interesses em uma empresa nacional de comunicações) com o grupo estadunidense Time-Life, que lhe rendera 6 milhões de dólares para montar a emissora. Estavam lançadas as bases para que surgisse um outro império.

Durante os mais de 20 anos de ditadura, a Rede Globo se tornou uma espécie de TV oficial do governo por defender os interesses dos governos militares, e das classes dominantes. Foi fundamental no papel de manter a população sob controle, distante das decisões políticas, entretida com transmissões de jogos de futebol e novelas fúteis, de baixo nível intelectual. A ditadura deu prioridade ao desenvolvimento de um moderno sistema nacional de telecomunicações, criando um ministério e viabilizando a compra de televisores a crédito. Chico Buarque comentou: "Era televisão e futebol. Construíram estádios e essa rede impressionante de telecomunicações por todo o Brasil, e ao mesmo tempo uma degradação crescente em termos de educação e saúde."

A influência política exercida pela TV ficava evidente em episódios cada vez mais frequentes, como no assassinato do jornalista Wladimir Herzog, e no atentado ao Rio-Centro. Não só a Rede Globo, como a maioria das emissoras de TV do país, tentavam ocultar as verdades, e até divulgar mentiras, em defesa do regime militar. Por exemplo: Herzog cometera suicidio, e o atentado havia sido praticado por "terroristas" de esquerda. Entre 1964 e 1985, a TV era contra o povo e a favor da ditadura.

Em 25 de janeiro de 1984, tivemos um dos melhores exemplos do uso político da Televisão. Manifestações por todo o país exigiam a volta das eleições diretas para presidente da república. O movimento das Diretas Já tomava as ruas das grandes cidades e reuniu um milhão de pessoas na praça da Sé em São Paulo. O Jornal Nacional noticiou o evento como uma "comemoração pelo aniversário de São Paulo". No ano de 2004, a TV Bandeirantes, não menos associada à defesa das classes dominantes, em virtude dos 20 anos das Diretas Já, se gabava de ter noticiado os movimentos populares de 84, e por isso, ter maior compromisso com o povo do que a Globo.

Nas Eleições de 1989, a Rede Globo representou o desespero de toda a elite nacional, e partiu para o que provavelmente tenha sido seu ato mais inescrupuloso e vil para com todos os cidadãos brasileiros. No último debate televisivo entre Lula e Collor, a emissora veiculou uma versão editada, na qual mostrava os melhores momentos de Collor, e os piores de Lula, influenciando diretamente no resultado do pleito, no qual Lula perdeu por uma diferença mínima. 13 anos depois, Lula ganhou as eleições com ajuda da Globo, que teria metade de suas dívidas perdoadas caso ele assumisse, provando que no Brasil, não se faz política sem a toda poderosa televisão. E como diria o grande jornalista Boris Casoy: Isso é uma vergonha!

Dica da semana:

O Centro Cultural de Belo Horizonte (CCBH) apresenta, sempre às 19h, uma mostra de filmes, de grande diretores, baseados em obras literárias. As exibições acontecem sempre às segundas e quartas feiras, no CCBH, na rua da Bahia, 1149, Centro.

No dia 10 a mostra apresenta "Drácula, de Bram Stoker", com direção de Francis Ford Coppola. O longa francês de Orson Welles "O Processo", da década de 60 , será exibido dia 22. "Razão e Sensibilidade", com direção de Ang Lee, é o filme do dia 24, quarta-feira. Baseado no romance de Milan Kundera e com direção de Philip Kaufman, "A Insustentável Leveza do Ser" será exibido dia 29 . Para encerrar a mostra no dia 31, será exibido o filme "Lolita", do diretor Stanley Kubrick.
As exibições acontecem em telão e os ingressos serão distribuídos meia hora antes de cada sessão. A promoção é da Prefeitura por meio da Fundação Municipal de Cultura e do CCBH.



segunda-feira, maio 01, 2006

 

Dica Cultural da Semana

Para aqueles que gostam de cinema ou que apenas querem se divertir com direito a enriquecer sua cultura, o Cine Humberto Mauro é uma boa oportunidade!
Entre os dias 24 de abril e 20 de maio, o Cinema do Palácio das Artes, exibe uma mostra retrospectiva com 18 filmes do diretor alemão Rainer Werner Fassbinder, além de dois documentários sobre sua vida e obra.
Para quem não conhece, Fassbinder foi um dos cineastas mais controversos da história do cinema. O diretor que completaria no dia 31 de maio, sessenta anos, morreu em 1982 por uma overdose de álcool e cocaína. Ele atuou, escreveu, dirigiu para o teatro e para a TV, uma carreira brilhante e inspirada. Aos trinta e seis anos, com apenas treze de carreira, alcançou a admirável marca de 43 filmes.
A mostra conta com o apoio do Instituto Goethe de São Paulo. No cine Humberto Mauro, dos dias 24 de abril a 20 de maio, de Segunda-feira a domingo. Os preços são promocionais! Apenas quatro reais a inteira e dois reais a meia-entrada para estudantes menores de 21 e maiores de 60 anos. NÃO PERCA!!


Tô certo ou tô errado?

A frase eternizada por Lima Duarte na novela Roque Santeiro inspira a postagem dessa semana, cujo tema a ser debatido será a legislação dos profissionais de radiodifusão.
Quais os direitos e deveres de quem é o operador de câmera ou o dono de um canal de programação? A questão da ética, dos limites do ibope na imposição de programas sensacionalistas, a discussão de que o código é muito antigo e de que outros órgãos são precisos para melhorar a qualidade da comunicação televisiva no Brasil...
Pontos como esses serão abordados na postagem dessa semana. Queremos discutir e saber até onde o profissional do meio mais utilizado pelos brasileiros está certo ou errado.



O que o tempo não apaga...literalmente

Uma empresa de radiodifusão é aquela que explora serviços de transmissão de programas e mensagens, seja pelo rádio ou pela televisão, de maneira gratuita e livre para o público em geral. O profissional que trabalha nessa área é chamado de radialista, e pode ter funções administrativas, de produção ou técnica, as quais se subdividem em diversos setores, como dublagem, revelação e copiagem de filmes. A Lei nº 6.615, sancionada em 16 de dezembro de 1978 pelo presidente Ernesto Geisel vigora até hoje, ainda que auxiliada por vários decretos e normas mais atuais.
A exemplo disso há o quadro anexo ao Decreto nº 84.134 de 30 de outubro de 1979, que titula e descreve as funções em que se desdobra a profissão de radialista. A própria Constituição de 1988 especifica que haja mudanças na regulamentação dessa profissão. Ainda assim, o que se vê é apenas um emaranhado de decretos e portarias que apenas complementam a legislação da radiodifusão e não provocam as mudanças necessárias.

Não que a regulamentação de 1978 seja ruim, mas é preciso admitir que após quase 28 anos, muitas mudanças ocorreram nos meios de comunicação e na própria sociedade.Os artigos 2º, 3º e 4º que tratam da descrição do que é a profissão de radialista são satisfatórias, ao passo que outros já se mostram atrasados a atual realidade. A exemplo disso, o artigo 7º que especifica o registro do radialista, considera que um atestado de capacitação profissional já é suficiente para se trabalhar no meio televisivo. Talvez em 1978 isso estaria em acordo com a sociedade, entretanto não se pode dizer o mesmo em pleno século XXI. Hoje o que não falta são universidades oferecendo o curso de rádio e tv, portanto, o mínimo que se pode exigir é um curso técnico na área. Assim, com um critério mais específico na seleção de profissionais, tornaria o mercado menos competitivo e mais qualificado.

Sendo a televisão o meio que atinge o maior número de brasileiros é preciso que haja uma maior exigência na qualidade dos profissionais que trabalham no setor. Assim, se atinge também os programas exibidos pela telinha da tv. A questão da ética é sempre polêmica. A concorrência acirrada acaba provocando uma explosão de programas sensacionalistas e sem sentidos que tem apenas o intuito de atrair um maior número de espectadores. Seguindo o cabresto do IBOPE o dono de um canal de programação não se importa com que tipo de informação que será veiculado e então chove superficialidade para o público. Seria a censura o melhor caminho para evitar isso? Bom, a censura ainda é vista como um meio muito radical, e assusta pois é inevitável não relembrar os tenebrosos momentos da ditadura. Há então aqueles que com um certo cinismo, fazem afirmações do tipo “eu dou o que as pessoas gostam”, jogando para o espectador a culpa da existência de programas como “Ratinho” e “Sônia e você”, mestres em explorar a fragilidade humana. Fato é que na legislação não há nada que se diga sobre o material produzido pelos radialistas, apenas garante o exercício da profissão, e como diz o artigo 17 “não será permitido a cessão ou a promessa de cessão de direitos de autor e dos que lhes são conexos, de que trata a Lei nº5.988 de 14 de dezembro de 1973, decorrente da prestação de serviços profissionais. (Lei nº6.615, 16 de dezembro de 1978, artigo 17). Talvez seja por isso, por essa garantia, que pipoquem no meio televisivo idéias tão “originais” e “boas” como as vistas atualmente.

A ABERT (Associação brasileira de empresários de rádio e televisão) destaca que foi previsto pela constituição de 1988 o Conselho Nacional de Comunicação. Desde 1988 o país não tem legislação específica para a comunicação. A própria lei de imprensa é de 1967. Em Rádio e TV é mais sério: só existe o código patronal – ABERT (93). As TVs se negam a fazer a revisão do código e isto já começa a ter implicações na WEB. Esta permite não apenas o anonimato, mas um falseamento – uma pessoa se passando por outra por exemplo – e estas são questões que ainda não estão bem debatidas. Em termos de agência reguladora, a ANATEL deveria estar atuando também no campo da Radiodifusão, mas tem se limitado à telefonia, ficando a Radiodifusão em mãos do Ministério das Comunicações.

Por fim, outro ponto importante a ser discutido é que o próprio profissional desconhece as leis que regem a radiodifusão. É importante que se saibam direitos como:
· O radialista do setor de autoria e locução tem uma jornada de trabalho de 5 horas.
· 6 horas para os setores de produção, interpretação, dublagem, montagem, arquivamento, transmissão de sons e imagens e manutenção técnica entre outros.
· 7 horas para os setores de cenografia e caracterização.
· 8 horas para os demais setores.
· Uma folga semanal de 24 horas consecutivas, de preferência aos domingos.
· Os textos destinados a memorização devem ser entregues com antecedência mínima de 24 horas.
(Lei nº6.615, 16 de dezembro de 1978, artigos 18, 20 e 23)


É preciso que um dos meios que melhor sabe transmitir a notícia em
tempo real (perde só para a internet) também atualize sua legislação à nova sociedade.

Os profissionais do meio, os donos dos canais, e principalmente os espectadores só têm a ganhar com uma programação de qualidade.

Uma legislação insastifatória pode sim receber mudanças, afinal o tempo chega para todos, e é melhor que se tenha nas lembranças bons momentos de uma BOA programação.

Para ver a legislação completa e mais informações sobre a profissão do radialista consulte a página www.sintertmg.org.br/manualdo.htm

Vanessa Veiga


quarta-feira, abril 26, 2006

 

Agenda Cultural da Semana

Se você está sem idéia a respeito de um programa que valha a pena???? Aqui vão algumas dicas de eventos interessantes:

  • dia 27 de abril: Vídeo MAP - VÍDEOS E DEBATES - Tema do dia: Audiovisual e artesplásticas com Cao Guimarães como curador e Sara Ramos como convidada. No Museu de Arate da Pampulha às 20H
  • dia 28 de abril: Palestra: "A poética do Filme como modelo de estética do cinema e como metodologia de análise". A palestra discutirá as possibilidades e limites de uma metodologia de análise e é de especial interesse para alunos que desenvolvem trabalhos na linha "Meios e Produtos de Comunicação. ( é parte do Programa de Pós-Graduação em Comunicação). Será ministrada pelo professor da UFBa Wilson Gomes, no Aditório Bicalho .
  • Do dia 25 de abril a 20 de maio: Mostra de filmes do diretor alemão Rainer Fassbinder no Palácio das Artes - Cine Humberto Mauro. Vale a pena, o preço é promocional: R$ 4,00 a inteira e R$2,00 a meia (estudantes, menores de 21 anos, e maiores de 60)

Sobre a postagem anterior, sobre os reality shows, uma dica: Interessados em mais informações a repeito busquem no site http://observatorio.ultimosegundo.ig.br


 

Bem vindos a nave mãe...E pode dar uma espiadinha...

Ao pensar o jargão televisivo que usaria não consegui achar nada que se adequasse mais que a "manjada" frase dita por Pedro Bial a cada início de Big Brother. Afinal meu post dessa semana refere-se justamente ao perigo de queda que tal nave vem sofrendo. Sendo assim "espiem à vontade nosso blog, chega de conversa e vamos ao post.

Reality Show – um gênero em decadência?

Muito tem se comentado a respeito de uma possível crise do formato de programa de entretenimento que se apóia na vida real, os chamados reality shows. Esses que se tornaram um verdadeiro sucesso global, principalmente entre o final da década de 1990 e inicio da atual, teve seu primeiro exemplar lançado em 1973 nos EUA, uma série chamada An American Family, que ganhou notoriedade por tratar de temas como divórcio e homossexualidade dentro de uma típica, e real, família norte-americana.
No Brasil, o "boom" dos realitys, se deu a partir do programa No Limite, que foi baseado no americano Survivor, e foi apresentado pela Rede Globo e 2000. Daí seguiram Casas dos Artistas, do SBT em 2001, e a versão brasileira do Big Brother, programa que teve sua fórmula desenvolvida pelo holandês John de Mol que a exportou para diversos países. Desde então a televisão brasileira experimentou os mais variados tipos de programas de realidade, com os temas mais diversos: relacionados com música como o Fama (Globo), Popstar e Ídolos (SBT); mercado de trabalho, caso de
O Aprendiz (Record), aventura, No limite (Globo) e O Conquistador do Fim do Mundo (SBT); cunho romântico caso de Amor à Bordo e Acorrentados (Globo); e até programas baseados em uma das maiores paixões nacionais ,caso do Joga bonito (Band).
De fato o sucesso é inegável, mas recente pesquisa feita pela empresa de consultoria Magna Global, indica que o gênero estaria em crise, no caso a pesquisa foi feita com base no público dos EUA. Em tal relatório, chega-se a conclusão que a saturação e a "mesmice" que com o passar das edições acaba por acometer as fórmulas, tem criado um certo desinteresse e conseqüente queda de audiência. Nos Estados Unidos esse tipo de programa já tem, inclusive, perdido espaço na programação para séries, o que já é sintoma da possível decadência.
Entretanto especialistas brasileiros contestam a pesquisa e dizem mais: o gênero veio para ficar. Para Carla Affonso diretora da Endemol Globo, empresa responsável pela produção do Big Brother Brasil, tudo isso não passa de especulação, pois toda vez que alguém diz que e os "realitys" estão em queda surge uma nova edição que explode em audiência. Opinião semelhante é a de Rodrigo Carelli, que foi diretor das três edições da Casa dos Artistas. A seu ver, a tal "bolha"(saturação seguida de estagnação) que estria acometendo o gênero é normal, mas isso não representará seu fim devido sua capacidade de gerar novidades uma vez que trabalha com o comportamento humano que é sempre inesperado.
Um fato é certo: a audiência de tais programas tem caído inclusive no Brasil. O BBB, por exemplo, a cada edição tem visto seus pontos no IBOPE irem gradativamente diminuindo. Embora a diferença seja relativamente pequena e existirem algumas exceções, a média de espectadores das edições tem tornado-se menor ( a média que já foi de 51 pontos, gira agora em torno dos 44). É ainda uma média alta, mas já está levando a rede globo a repensar atração. Um dos problemas citados é que os participantes já começam a aprender com as edições anteriores e imitam o estilo daqueles que nelas fizeram sucesso. Outro se refere ao perfil dos participantes escolhidos segue sempre o mesmo padrão conduzindo o programa a certa monotonia.
O representante da Magna Global diz acreditar que o gênero não acabará, apenas tornar-se-á rarefeito, porém só o tempo nos dará a resposta. O interessante, é que essa possível crise abre espaço para uma discussão: não seria a hora de se rever tal gênero e a superficialidade com que ele trata do comportamento humano? Talvez não seja de fato o fim dos reality shows mais uma reformulação de sua fórmula seria, com certeza, um grande bem a sociedade.

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quinta-feira, abril 13, 2006

 

Por quê? Por quê? Por quê?

A eterna pergunta do personagem Zequinha, do Castelo Rá-tim-bum, transmite um pouco da sensação de dúvida que se instalou nas mentes dos brasileiros a partir da veiculação do emaranhado de informações desencontradas em que se transformou a discussão da TV Digital.
A história da implantação da TV Digital no Brasil se assemelha ao mais popular gênero de dramaturgia brasileiro. Essa “novela” começou oficialmente em 26 de novembro de 2003, com o decreto nº 4.901 do Ministério das Comunicações, que instituiu o Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTV).
Ao contrário das atuais tramas que figuram no horário nobre da TV (analógica) brasileira, a história da TV Digital está carregada de complexidade. Há várias discussões em andamento. E, para entendê-las, é que se fez esta postagem.
A primeira questão é: o que é, afinal, TV Digital?

Definição e possibilidades

A TV Digital é um novo modelo de transmissão televisiva que utiliza um modo de modulação e compressão digital para enviar vídeo, áudio e sinais de dados aos aparelhos compatíveis com a tecnologia, proporcionando assim transmissão e recepção de maior quantidade de conteúdo por uma mesma freqüência (canal). Hoje as redes de TV usam um espaço de 6 Mhz no espectro eletromagnético para transmitir sua programação. Com a compressão de sinal na transmissão digital, elas vão precisar de apenas 1/4 disso. O espaço que ficará disponível pode ser utilizado pelas TVs abertas para transmissões em alta definição, acesso à interatividade e possibilidade de recepção no celular e no carro. Ele também poderia ser usado para criação de novos canais, dando à sociedade a oportunidade de participar da produção e transmissão de programas de televisão.

Além do espaço, a TV Digital poderá proporcionar também:

· Melhor qualidade técnica de imagem e som: melhor resolução da imagem, novo formato da imagem (próximo do formato panorâmico de uma tela de cinema) e melhor qualidade do som (padrão utilizado pelos mais sofisticados equipamentos de som e home-theaters);

· Interatividade: acesso a informações adicionais (como o menu de programação, por exemplo) e interação do usuário com a emissora (através de um canal de retorno via linha telefônica, por exemplo, que possibilitaria a este votar ou fazer compras);

· Acessibilidade: facilidades para gravação de programas (introdução de sinais codificados de início e fim de programas, facilitando o acesso automático a videocassetes ou gravadores digitais), gravadores digitais incluídos nos receptores ou conversores (alguns modelos de aparelhos receptores ou mesmo os conversores poderão incorporar gravadores digitais de alta performance que poderão armazenar muitas horas de gravação e permitir que o usuário escolha a hora de assistir ao programa desejado) e múltiplas emissões de programas (a transmissão de um mesmo programa em horários descontínuos – um filme, por exemplo, iniciando de 15 em 15 minutos – em diversos canais permitirá que o usuário tenha diversas oportunidades para assistir ao programa desejado num horário escolhido);

· Recepção: otimização da cobertura (permitirá que terminais portáteis ou móveis – celulares e terminais instalados em veículos, por exemplo – recebam sem problemas as transmissões).

Padrões

Outra discussão que surgiu com o assunto da TV Digital refere-se ao padrão a ser adotado no Brasil. Os modelos existentes são o Americano (ATSC), que privilegia a TV de alta definição (praticamente descartado das discussões); o Japonês (ISDB) que privilegia alta definição e transmissão para receptores em movimento (preferido do Governo, pois o Japão se comprometeu a investir e transferir tecnologia ao Brasil. Esse padrão também permite maior tempo de adaptação à tecnologia digital) e o Europeu (DVB), que privilegia a múltipla programação (preferido das operadoras de telefonia – porque dá mais oportunidade de negócios para que elas entrem no ramo de transmissão de conteúdo – e dos fornecedores de equipamento – porque dá mais ganho de escala já que é adotado em 74 países, enquanto o japonês é adotado em apenas um).
Esses são os padrões que estão em voga na discussão veiculada na mídia. Porém, o Brasil foi o único país emergente onde emissoras e indústrias de equipamentos financiaram testes de laboratório e de campo para comparar a eficiência técnica dos três padrões tecnológicos existentes em relação à transmissão e recepção dos sinais. Desde 1994, 17 emissoras de TV e pouco mais de uma dezena de empresas interessadas criaram o grupo SET/Abert. A partir de 1998, o trabalho do consórcio técnico intensificou-se, resultando nos testes de laboratório e de campo realizados por seis meses, entre agosto de 99 e março de 2000, com o aval de especialistas da Universidade Mackenzie.
No referido decreto do Ministério das Comunicações (nº 4.901, de 26 de novembro de 2003), criou-se o Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD), composto de um Comitê de Desenvolvimento, Comitê Consultivo e Grupo Gestor, que é uma proposta de modelo para a implantação da TV Digital no Brasil desenvolvida pelo CPqD-Unicamp desde 2003, por solicitação do Governo Federal. Esse modelo inclui, além das possibilidades tecnológicas dos outros padrões, uma estratégia baseada na inclusão digital não apenas no que diz respeito ao usuário, mas também no que tange à formação de novas gerações de pesquisadores.
Cabe aqui a pergunta (já levantada pelo CMI – Centro de Mídia Independente): com tanto investimento já feito, não seria mais pertinente dar força a um modelo brasileiro? Não seria importante dar esse incentivo à pesquisa nacional?

Quanto vai custar a TV Digital

Com a introdução da tecnologia digital na radiodifusão de TV (TV Digital Terrestre), o usuário poderá optar por uma das seguintes situações:
· Continuar a receber a TV aberta da forma atual utilizando a sua TV analógica.
· Adquirir um conversor (set top box) que permitirá receber o sinal digital e convertê-lo para um formato de vídeo e áudio disponível em seu receptor de TV – o valor do decodificador gira em torno de R$ 200,00.
· Adquirir uma TV nova que já incorpore o conversor – atualmente, poucos televisores possuem esse recurso, e os que possuem custam em torno de R$ 5.000,00.

Prazos

O Governo Brasileiro deseja que as primeiras transmissões comerciais da TV Digital se realizem em setembro deste ano, mas esse prazo já vem sendo descartado por autoridades relacionadas aos meios de comunicação.
Além disso, a implantação total da TV Digital demorará muito mais tempo. Ela passará por um período de transição, que deve durar 10 a 15 anos, no qual as emissoras transmitirão simultaneamente dois canais de 6 MHz, sendo um analógico e o outro digital. Este processo vem ocorrendo em vários países do mundo. No Reino Unido, por exemplo, o processo iniciou-se em 1998 e 65,9% das residências já tinham acesso à TV Digital em setembro de 2005. Nos Estados Unidos o início foi em 2002 e no Japão em 2003.

Ou seja: teremos ainda algum tempo para discutir, avaliar possibilidades e decidir sobre a TV Digital brasileira. TV Colosso dá o primeiro passo, esclarecendo possíveis dúvidas e estendendo a discussão a todos. Não fique de fora!

(Imagem do site do CMI – Centro de Mídia Independente)

Fontes e links:

Folha Online (Informações sobre o andamento da discussão, etc.): http://www.folha.com.br/

Ministério das Comunicações (Decreto nº 4.901, de 26 de novembro de 2003): http://www.mc.gov.br/tv_digital_decreto4901_27112003.htm

Teleco – Informações em Telecomunicações (Informações sobre os acessórios que serão necessários para a recepção do sinal digital, etc.): http://www.teleco.com.br/tvdigital.asp

Wikipedia (Artigo “TV Digital”, com informações técnicas e conteúdo largamente utilizado para essa postagem): http://pt.wikipedia.org/wiki/TV_Digital

CMI – Centro de Mídia Independente (Informações sobre os padrões e discussão alternativa e independente sobre a TV Digital): http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2006/03/349190.shtml

Jornal Folha de São Paulo de quarta-feira, 15 de março de 2006 (Página 4 do Caderno B – Dinheiro. Matéria sobre a disputa dos padrões da TV digital – a manchete é “Europeus pedem encontro com Lula sobre TV digital”)
Sugestão da Semana:
Minha sugestão da semana é o filme dinamarquês "Pelle, o conquistador" (Pelle Erobreren), do diretor Billie August.
O filme retrata a história de dois imigrantes suecos, pai e filho, que tentam a sorte na Dinamarca, no final do século XIX. O roteiro foi adaptado de um livro de Martin Andersen Nexø, e no elenco estão: Pelle Hvenegaard, Max von Sydow, Erik Paaske, Björn Granath e Morten Jørgensen.
A película venceu o Oscar em 1987, na categoria "Melhor Filme Estrangeiro". Também foi indicada na categoria "Melhor Ator" (Max von Sydow), e fez parte da lista dos 100 melhores filmes de todos os tempos, feita pelo jornal "The New York Times".
A exibição será na segunda-feira, dia 17, às 19 horas, no Centro de Cultura Belo Horizonte (CCBH), situado à Rua da Bahia, 1149 (esquina com Av. Augusto de Lima).
Dicas: Chegar por volta das 18h30, que é quando os ingressos começam a ser distribuídos (são apenas 80 lugares). Outra dica (pra quem estiver na UFMG) é pegar o ônibus 2004 e parar na porta do Correio, ao lado da Prefeitura. De lá até o CCBH é um pulo.
Nota: Apesar de serem apenas 80 lugares, a sala de exibição é ótima (falo com a experiência de um freqüentador assíduo).
Abraços a todos!
Victor Guimarães

domingo, abril 09, 2006

 

Senta que lá vem estória...

Olás!!

Começa hoje a nova fase do blog de TV e vídeo. Agora comandado pelos últimos calouros da lista de chamada: Sulamara, Terêncio, Thiago Augusto, Thiago “Chico”, Victor Ribeiro, Vitor Brandão, Vanessa e Yara; e o Fernando.
Para ficar com cara de recomeço, e não de uma simples continuidade, o blog ganhou um novo layout e um novo nome também: “TV Colosso”. O nome foi democraticamente escolhido pelo grupo, remete a um clima nostálgico e também pode ser entendido metaforicamente. Sugere, neste caso, uma semelhança de conteúdo, entre a atual programação televisiva e uma televisão para cachorros. Viva a liberdade de interpretação!
Neste novo formato, pretendemos abordar igualmente temas tanto sobre TV quanto vídeo, sem privilegiar nenhum dos assuntos. Em cada postagem procuraremos colocar como título um jargão televisivo. Sugestões sobre filmes, programas de TV e eventos relacionados ao tema também estarão sempre presentes.
Dessa forma esperamos agradar a todos os internautas. Contamos com sua participação, deixe seu comentário, crítica ou sugestão. Comece agora mesmo! Conte-nos o que achou do novo formato do blog, ou dê uma nova interpretação para o nome!

Yara Campos

 

Blog desenvolvido por estudantes do curso de comunicação social da UFMG, com projeto da disciplina Campo Profissional da Comunicação. Esse site visa trazer informações e realizar debates acerca da produção de TV e Vídeo no Brasil e no mundo.


Alunos

Fernando Dornas, Sulamara Moreira, Terêncio de Oliveira, Thiago Augusto, Thiago Bento, Vanessa Veiga, Victor Guimarães, Vitor Brandão, Yara Campos.


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